| Boa hora para rever suas contas |
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O mercado financeiro acabou fechando a semana no dia 12 de agosto bem melhor do que começou. Depois do susto com o rebaixamento dos títulos da dívida dos Estados Unidos e cujo efeito imediato foi uma forte e generalizada queda nas bolsas de valores de todo o mundo, a Bovespa (que caiu 8,08% na segunda-feira) registrou na sexta-feira alta de 0,24%. Na semana ganhou 1%.
Só tem um detalhe, embora o cenário aparentemente tenha se acalmado, o mercado de ações ainda acumula perda de 9,09% no mês e de 22,84% desde o começo do ano.
Mesmo quem não investe em ações pode tirar uma lição dessa história. O fato é que apesar de o impacto da crise de 2008 ter sido menor no Brasil, o mundo todo não se recuperou plenamente dos efeitos da quebradeira generalizada. O perigo que ronda as economias mais desenvolvidas como a norte-americana e a europeia é de recessão.
O governo dos Estados Unidos já declarou que projeta pelo menos mais dois anos de problemas. Por aqui, apesar da garantia do governo de que o Brasil está preparado para enfrentar as turbulências, a própria presidente Dilma Rousseff aconselha a população a continuar consumindo, mas com cautela. Ou seja, melhor não abusar do crédito.
Momentos assim são uma oportunidade para cada um repensar seus hábitos financeiros. Cabe a pergunta: se uma nova onda como a que varreu o mundo há três anos voltar a acontecer estarei preparado? Tenho uma reserva financeira para tempos difíceis ou tudo o que entra é gasto na manutenção da casa e na satisfação de desejos de consumo? A família tem muitas compras feitas em parcelas a vencer? Para quem já tem o hábito do planejamento financeiro a tarefa é mais simples, pois basta rever como estão os gastos e eventualmente fazer algum ajuste para tentar guardar mais um pouco.
Já para aqueles que acham que nunca sobra o suficiente para poupar vai um convite: comece agora mesmo a fazer um levantamento de seus gastos. Pegue um caderno qualquer, não precisa ser uma planilha financeira sofisticada, e anote o que entra, ou seja, a renda da família.
Mas atenção, é preciso apurar a renda líquida. No livro ‘Terapia Financeira’, o especialista Reinaldo Domingos mostra que muita gente entra em dificuldades porque não tem a correta noção de quanto ganha. “Ao ser questionado, alguém cujo salário é R$ 1 mil, vai responder: mil reais”. No entanto, deste valor é preciso tirar os descontos, o que daria cerca de R$ 850. Assim, ele ganha 15% menos do que pensa.
Ter ideia de seus ganhos líquidos é mais importante ainda para quem tem rendimento variável, afirma Domingos. “Essas pessoas podem armazenar na memória apenas a renda bruta, sem descontar impostos e despesas de quem trabalha como autônomo. Além de em certos períodos obterem ganhos bem acima da média e em outros, abaixo da média ou nada”. É fundamental conhecer bem a entrada e saída do dinheiro.
Depois vá listando suas despesas. Primeiro as fixas, como aluguel ou financiamento da casa, condomínio, gastos com o carro, mensalidades escolares, alimentação etc. Não esqueça das compras parceladas e dos custos anuais, como licenciamento, IPVA, IPTU.
Os gastos esporádicos são um pouco mais chatinhos de relacionar. Eles estão espalhados pelas faturas do cartão de crédito, nos canhotos dos cheques e nas dezenas de recibos de débitos e de saques em dinheiro. O extrato mensal consolidado da sua conta corrente é um grande aliado nesta apuração.
Com este levantamento será mais fácil ter uma visão clara de quanto essas despesas representam de sua receita e a partir daí começar a planejar a formação de uma reserva de segurança.
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/seu-dinheiro/boa-hora-para-rever-suas-contas/ |