Reinaldo Domingos - Educador Financeiro

Cheque especial tem maior taxa dos últimos 12 anos, veja como evitar
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Segundo o Banco Central, a taxa cobrada nas operações com o cheque especial de pessoas físicas pelos bancos cresceu no último mês de julho, atingindo 188% ao ano, o maior valor desde abril de 1999, quando chegou à 193,95% ao ano.

 

O educador financeiro Reinaldo Domingos, presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira, diz que a grande maioria dos correntistas do Brasil já recorreu ao menos uma vez ao cheque especial. Mas usar essa linha de crédito sem conhecer em detalhes o funcionamento do sistema é uma das faces do comportamento de risco financeiro mais comum na cultura de endividamento.

 

Em seu novo livro – “Livre-se das Dívidas: como equilibrar as contas e sair da inadimplência”, Domingos faz importantes alertas para as pessoas saberem calcular o impacto de financiamentos (cartão de crédito, cheque especial, financiamento da casa própria, do carro, de eletrodomésticos, entre outros) em seu orçamento.

 

Dicas

No caso do uso do cheque especial, a primeira recomendação é o correntista nunca esquecer de que o dinheiro do cheque especial pertence ao banco. E, a cada dia que deixar de repor o dinheiro emprestado, os juros estão correndo, aumentando cada vez mais.

 

No livro, ele recomenda cuidado com a expressão “limite disponível”, utilizada pela maioria dos bancos no extrato bancário, e que ajuda a criar a ilusão de que todo dinheiro é do correntista. Se necessário, imprima uma vez por semana o extrato e escreva em azul meu dinheiro onde está o saldo real da pessoa, e em vermelho dinheiro do banco onde aparece o valor disponível do limite.

 

O ideal é recorrer a essa linha de crédito em casos de emergência e se tiver certeza absoluta de que poderá repor a totalidade do valor utilizado em curto período de tempo. Mas se o uso do limite é inevitável, é fundamental saber exatamente a taxa de juros cobrada pelo seu banco, compará-la com a de outras instituições financeiras e fazer uma escolha consciente. Também recomenda-se pesquisar bancos que oferecem a possibilidade de uso do limite do cheque especial por 10 dias sem nenhuma cobrança de juros.

 

Para aqueles que pensam que R$ 100 ou R$ 200 de juros por mês não é tão pesado assim, a sugestão é multiplicar o valor por 12 meses. Só assim percebe-se que, na verdade, se trata de R$ 1.200 ou R$ 2.400 ao ano, valor significativo que poderia ser usado para viabilizar vários sonhos como um final de semana em um hotel, uma viagem de avião etc.

 

“Um cálculo que quase ninguém faz é o de que, se você tem um rendimento mensal equivalente ao limite do seu cheque especial e usa esse limite sempre, a cada oito meses você está dando praticamente um salário ao sistema financeiro”, alerta Domingos.

 

Ciclo do endividamento

Segundo Domingos, o ciclo do endividamento se constitui de Causas como analfabetismo financeiro, consumismo, marketing publicitário e crédito fácil; de Meios – cheque especial, cartão de crédito, crediário, crédito consignado, empréstimos, adiantamentos e antecipação do IR -; e de Efeitos – problemas conjugais, problemas de saúde, desmotivação, baixa autoestima, produtividade reduzida, atrasos e faltas no trabalho. “Para quebrar esse ciclo é necessário ajudar a ampliar o repertório da população sobre finanças, de forma consistente e carregada de sentido prático, para que assimilem, o mais cedo possível, a importância do equilíbrio financeiro para o bem-estar individual e social”, diz o presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira.

 

Em geral, a ciranda financeira segue o seguinte compasso: se a prestação da casa ou do carro não está cabendo no orçamento, a pessoa passa a pagar todas as demais despesas no cartão de crédito, imaginando que assim sobrará recurso para pagar suas principais dívidas. Dentro de poucos meses, no entanto, já não conseguirá quitar a fatura do cartão e passará a pagar a parcela mínima, até que entre algum recurso extra. Mas isso não acontece e a saída é recorrer também ao cheque especial. Chega o começo do outro mês e a história se repete. O salário recebido é suficiente apenas para cobrir o limite do cheque especial. Junto vem o débito referente aos juros do período mais a parcela mínima do cartão acompanhada de juros. Sem alternativa, deixa-se de pagar a prestação da casa ou do carro. Quando se dá conta, a pessoa está endividada de todos os lados, correndo o risco de ficar inadimplente e sem linhas de crédito. Há quem provoque a própria demissão para usar os recursos dos direitos trabalhistas para solucionar o problema. Quando percebem que o dinheiro não é suficiente buscam empréstimo. E assim vai até chegar ao fundo do poço.

 

A solução é fazer um levantamento detalhado de todas as dívidas, separando os itens em “essenciais” e “não essenciais”, priorizando o pagamento das essenciais para evitar o corte de serviços indispensáveis. Deve-se também priorizar as dívidas que têm as taxas de juros mais altas. Provavelmente serão as dos empréstimos adquiridos junto ao sistema financeiro. Se assim for, o melhor é procurar o gerente e pedir que junte num mesmo pacote as dívidas de cheque especial, cartão de crédito e demais empréstimos e negociar uma linha de crédito diferente, mais alongada, com juros médios de 2,5%, cuja prestação seja menor do que o valor total dos juros que a pessoa pagava mensalmente. A partir desse acordo com o banco, o devedor estará pagando não mais apenas os juros, e sim o valor principal, fazendo com que a dívida seja efetivamente liquidada ao longo do tempo. Se não houver possibilidade de acordo com a instituição financeira ou se a parcela negociada não couber no orçamento será melhor poupar para quando for procurado pelas empresas de recuperação de crédito contratadas pelos bancos, tenha melhores condições de negociar a quitação em valores menores.

 

Perguntas que o consumidor deve se fazer antes de qualquer compra

- Eu realmente preciso desse produto?

- O que ele vai trazer de benefício para a minha vida?

- Se eu não comprar isso hoje, o que acontecerá?

- Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima?

- Estou comprando por mim ou influenciado por outra pessoa ou por propaganda sedutora?

 

Se mesmo diante deste questionamento, a pessoa concluir que realmente precisa comprar o produto, seria prudente fazer mais algumas perguntas como:

- De quanto eu disponho efetivamente para gastar?

- Tenho o dinheiro para comprar à vista?

- Precisarei comprar a prazo e pagar juros?

- Tenho o valor referente a uma parcela, mas o terei daqui a três, seis ou doze meses?

- Preciso do modelo mais sofisticado, ou um básico, mais em conta, atenderia perfeitamente à minha necessidade?

 

Fonte: http://www.jourliq.com/economia/2011/08/25/cheque-especial-tem-maior-taxa-dos-ultimos-12-anos-veja-como-evitar/

 

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