Reinaldo Domingos - Educador Financeiro

66% estão endividados e 24% inadimplentes
Addthis

O índice é 5,4 pontos percentuais superior ao registrado em julho deste ano, segundo pesquisa do IPDC-CE

 

Cresceu o percentual de endividados em Fortaleza no mês de agosto, atingindo 65,8% dos consumidores da Capital. O número assusta, aparecendo como o maior em 13 meses. Segundo o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC - CE), o indicador é 4,5 pontos percentuais a mais que o registrado em julho último: 61,3% e revela um maior comprometimento da renda da população.

 

A pesquisa também mostra o aumento da proporção de consumidores que têm dívidas em atraso, ou seja, os inadimplentes. Se no mês passado eram 19,2%, agora o percentual chega a 24,6%. Contudo, 41,2% da população com débitos na Capital ainda estão conseguindo arcar com seus compromissos.

 

Um contraponto positivo da pesquisa foi o tempo médio de atraso das dívidas, que foi reduzido de 58 para 48 dias, em média, em agosto, sendo que, no mês, 49,3% dos entrevistados relataram estar nessa condição somente por até trinta dias.

 

As causas mais citadas para o atraso no pagamento das contas são a falta de controle financeiro (28,7%), seguido de desemprego (21,8%), gastos inesperados (19,5%), e da assunção de dívidas de terceiros (12,8%).

 

Crédito descontrolado

Para o presidente do IPDC, Ranieri Leitão, a ampla oferta de financiamento está ligada ao "descontrole financeiro". "Percebe-se uma tendência recente de aquisição de bens de consumo imediato com instrumentos de crédito, o que provavelmente contribui para o aumento da proporção de endividados, mas sem afetar os indicadores de comprometimento de renda e elevar o prazo médio de endividamento", explica.

O nível de renda comprometida com pagamento caiu de 27,3% para 24,7%, entre julho e o mês atual, sobretudo no grupo com renda familiar acima de dez salários mínimo (36,5%) e nível de escolaridade superior (30,0%) - exatamente aqueles com maior acesso ao crédito. A média do montante em dívidas é de R$ 1.009 por consumidor.

 

Tipos de dívidas

Em agosto, a utilização do crédito, em grande parte no cartão (77,7%), foi maior entre os fortalezenses para a compra de alimentos (40,1%), seguida de eletroeletrônicos (34,4%), vestuário (29,7%), veículos (9,0%) e despesas com educação (8,3%). A alimentação, inclusive, respondeu por 51,5% de todo o orçamento das famílias de Fortaleza, em agosto.

 

A opinião do especialista
Compulsão é risco

Essa situação é muito grave, porque mesmo os que estão adimplentes, correm o risco de não conseguirem arcar com suas dívidas. A profusão de crédito fácil, combinada com o marketing publicitário, levam os consumidores a uma disposição muito grande às compras. O grande problema é a falta de foco. A maior parte não tem objetivos estruturados, não têm metas. A população fica exposta ao desejo compulsivo exposto pela mídia, por isso mesmo não tem o hábito de poupar antes de gastar. É uma questão d e falta de educação financeira. É preciso diagnosticar para onde vai cada centavo, para evitar esse desastre. Se essas causas não forem combatidas, nos próximos três anos 100% dos brasileiros endividados estarão inadimplentes.

Reinaldo Domingos - Educador financeiro

 

CRÉDITO
Serasa e SPC vão trocar dados sobre os atrasados

Brasília. A Serasa Experian e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) firmaram um acordo de troca de informações a respeito do tomador de crédito que já faz parte do cadastro de uma das empresas. Os executivos das companhias afirmam que não se trata de um negócio propriamente dito, como fusão ou aquisição, mas, sim, acesso livre entre as partes do banco de dados da Serasa, que é mais voltado a pessoas jurídicas, e do SPC, focado na pessoa física. O convênio vai permitir que cerca de um milhão de empresas filiadas às Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs) e Associações Comerciais (ACs), usuárias do SPC em todo Brasil, se beneficiem da parceria.

 

Em uma análise inicial, o governo torceu o nariz para a operação. Basicamente, o que estará disponível para as duas entidades é o perfil do consumidor, com a preciosa informação sobre se ele tem o hábito ou não de pagar suas contas em dia.

 

 

Relevância

O que era uma ferramenta importante, principalmente para o pequeno lojista, ganha ainda mais relevância com o aumento das vendas e, consequentemente, da oferta de crédito, que é fruto da estabilidade econômica dos últimos anos. "As classes C, D e E estão em franco crescimento no País e podemos dar agora uma informação mais precisa sobre esse consumidor", avaliou o presidente do Conselho de Administração do SPC Brasil, Roberto Alfeu. Para ele, um raio X mais fidedigno do consumidor é positivo para o setor produtivo, já que, com informações de mais qualidade, a concessão de crédito aumenta, o comércio vende mais e puxa a indústria.

 

 

 

ANA CAROLINA QUINTELA
REPÓRTER

Site:
jornal DIÁRIO DO NORDESTE
Postado por:
Dégagé
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar