Reinaldo Domingos - Educador Financeiro

Sete pecados capitais para o endividamento

Muito se fala sobre os milhões de brasileiros endividados, mas, quais são os motivos que causam esta situação? Podem ser citados diversos fatores, mas, para resumir, abaixo estão os sete principais pecados que levam as pessoas ao descontrole financeiro:

Falta de educação financeira. Sem possuir educação financeira as pessoas que não conhecem sobre a importância do dinheiro e as formas corretas de utilizá-lo, assim, está a um passo das dívidas. Isso acontece com a maior parte da população, pois, nem os pais, nem as escolas, ensinam esse tema para as crianças e adolescentes e depois que esses crescem ficam expostos a sociedade de consumo, onde esse tipo de informação não é interessante. O caminho para sair desta situação é buscar cursos e livros sobre o tema. Também é fundamental a preocupação com as crianças, ensinando de forma lúdica sobre o tema e solicitando a inserção deste nas escolas.

Marketing publicitário. A grande maioria da população está suscetível a ferramentas de marketing e publicidade, que fazem com que comprem o que não precisam. Isso acontece diariamente na televisão, nas ruas, no trabalho; as mensagens são muitas e as pessoas passam a acreditar que parte do que é oferecido é realmente necessário. Assim o caminho para evitar esse problema é não comprar por impulso, o ideal é questionar na hora: realmente preciso desse produto? Como ele vai alterar a minha vida? Também é interessante deixar a compra para outro dia, onde terá refletido sobre se quer mesmo ou não.

Crédito Fácil. Quando não se tem dinheiro o consumidor tem facilidade em buscar ferramentas de crédito fácil, como empréstimos, crediários, financiamentos, limite do cheque especial, pagar o mínimo de cartão de crédito. O mercado oferece milhares de produtos de fácil acesso, contudo, os juros cobrados são abusivos e fazem com que a inadimplência se torne alta. Assim, a solução é evitar esses meios. No caso de cartão de crédito, o ideal é ter só um, e em caso de descontrole eliminar até mesmo esse. Também é interessante não ter limite de cheque especial. Evitar também totalmente os empréstimos e crediários é fundamental.

Parcelamentos. Ao parcelar as compras as pessoas não percebem que já estão se endividando. Muitas vezes esquece-se de colocar esses valores no orçamento o que faz com isso se torne um caso de inadimplência. Um parcelamento na verdade é uma forma de crédito, pois, você está usando um dinheiro que não possui para comprar um produto. Assim, para que não tenha problemas, esse deve ser evitado. Caso isso não seja possível, esse deve constar no orçamento mensal do consumidor e sempre que receber seus rendimentos, já deverá estar separado o valor para pagar essa dívida. Também é interessante ter uma poupança paralela, para que, em caso de imprevistos, tenha como arcar com esses valores.

Falta de objetivar sonhos. Não ter objetivo para o dinheiro por falta de metas é muito grave. Se a pessoa não tem determinado o sonho para qual utilizará o dinheiro, poderá gastar de forma irresponsável, levando ao endividamento. Isso ocorre muito pela falta de capacidade das pessoas de sonharem com o que querem no futuro, vivendo muito o presente. Para sair deste problema é recomendável fazer um exercício simples, refletindo diariamente sobre quais são realmente os seus sonhos, o que quer para o futuro. Tendo isso estabelecido, deve cotar os valores e determinar parte de seu dinheiro, quando recebê-lo para esse fim. Com isso em mente será muito mais difícil que se caia nas armadilhas do consumismo e crédito fácil.

Necessidade de Status social. Muitas pessoas acreditam que possuir alguma coisa é que irá fazer a diferença na sociedade, e não o que ela realmente é. Isso é reflexo das informações que recebemos hoje, passando valores errados de que ter alguma coisa é a felicidade, independente das conseqüências, assim, se cai no consumismo acelerado. Que tem como única função suprir um vazio dentro das pessoas, reflexo da falta de relacionamentos mais próximos de nossa sociedade atual. A solução para esta questão é ter objetivos claros do que se quer e saber que ser é muito mais importante do que ter. Pode ter certeza, ler um livro vai lhe fazer muito melhor do que comprar uma roupa!

DNA Financeiro. Tratar e estancar o endividamento de uma pessoa ou família pode ser algo mais profundo, você já parou para pensar em seus ancestrais? Conheceu ou ouviu falar de seus: bisavós, avós, como eram em suas vidas financeiras? Em que situação eles viveram, endividados, equilibrados ou eram investidores? E Seus pais em que situação vive ou viveram? Você pode estar me perguntando, mas o que isto tem a ver com minha situação financeira hoje? É possível que nenhuma, como também é possível que tenha tudo a ver com seu passado, por isso é preciso analisar os pontos que possam ter levado ao endividamento e analisar a causa e não somente o efeito como a maioria das pessoas acabam fazendo. Fazer analise detalhada também em sua “linha do tempo” é o caminho para detectar o problema. Resumindo temos que ficar atento a tudo, tem que buscar a solução imediatamente e combater o mal pela raiz. Vamos também fazer com que possamos garantir o DNA Financeiro de nossos filhos, netos e bisnetos, alias nós hoje somos autores de decisão, mãos a obra, educação financeira se aprende, ser educado financeiramente é garantir o futuro e até se tornar independente financeiramente!

 

Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e Editora DSOP, autor dos livrosTerapia Financeira, Livre-se das Dívidas, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, das coleções infantis O Menino do Dinheiro e O Menino e o Dinheiro, além da coleção didática de educação financeira para o Ensino Básico, adotada em diversas escolas do país.